sábado, 8 de março de 2014

- VIAGEM



- UMA CRÔNICA SOBRE AS SETE MARAVILHAS DO MUNDO MODERNO
PARTE II - MACHU PICCHU


Da série “As Sete Maravilhas do Mundo”, algumas delas conseguem associar os trabalhos do homem e da natureza em um mesmo cenário. Isso logicamente as torna “diferentes” na forma de serem analisadas. Nesta categoria estão Petra, Machu Picchu e o Corcovado, associações perfeitas entre a construção do homem e a obra da natureza. Mas uma delas consegue associar ainda uma terceira variável, que a torna mais espetacular: o “clima espiritual”. Esse lugar é Machu Picchu. A cidade perdida dos Incas vale pelo lugar, pela paisagem, pela história, pelos mistérios, pelas lendas, mas acima de tudo pelo “estar lá”. É uma cidadela de rochas, construída em um platô à 2.400 metros de altura, ladeada por montanhas e florestas. Podemos especular se estamos em um local religioso, um centro astronômico ou simplesmente na morada do nono imperador inca, Pachacútec. O que importa, no entanto, é que a paisagem é deslumbrante e o clima um espetáculo à parte. Num mesmo dia você pode passar por sol, chuva, névoa, calor e frio. Cada monumento reserva uma história e manifesta um significado arqueológico, cultural, místico e religioso. Aliás, transitar por Machu Picchu exige num primeiro momento a figura de um guia, pois neste lugar uma pedra nunca é somente uma “pedra”. Esta cidade inca, com uma parte agrícola e outra urbana, é dotada de casas, templos, praças, terraços, tudo interligado por caminhos e escadas. Intihuatana, Templo do Sol, Templo do Condor, Templo das Três Janelas são lugares que carregam narrativas que transcendem aquilo que estamos vendo. Andar pelos terraços, observar as estruturas e seus blocos de pedra encaixados com precisão, tirar dezenas de fotos fazem parte do programa. E depois de visitar a cidadela é obrigatório reservar um tempo para fazer o que de melhor se pode fazer neste lugar: NADA.. Vale subir até a Cabana do Guardião e ficar observando, lá do alto, a cidade, a floresta, o Huayna Picchu ao fundo (foto clássica) e sentir a magia do lugar. Os que me conhecem sabem que sou quase um estruturalista, com alguns poucos momentos de “fraqueza” espiritual, mas lhes digo uma coisa: “este lugar é diferente”. Não me perguntem o que tem lá.. Mas recomendo a todos que não percam a oportunidade de estar lá.. Duas dicas: não façam o passeio rápido, que chega no trem às 10 da manhã e volta às 3 da tarde. Em Machu Picchu vale chegar cedo pela manhã para ver o dia nascendo e se possível ficar até a tarde para ver o sol se pondo. Para isso recomendo ficar uma noite em Águas Calientes, a cidade que fica junto ao Rio Urubamba. Assim, na primeira visita você pode ficar até o final da tarde, observando o sol baixando, e no dia seguinte voltar novamente para curtir o amanhecer, antes que a horda de turistas bárbaros invada a cidade. Nesta segunda subida (todas são feitas de ônibus), vai a segunda dica. Você pode associar um passeio sensacional que é a subida ao Huayna Picchu ou uma trilha mais leve até a ponte inca. Atenção que a subida ao Huayna Picchu exige reserva prévia e bastante coragem. Mas a vista é extasiante. Outras cidades misteriosas rivalizam com Machu Picchu em termos de valor histórico, mas creio ser difícil alguma delas apresentar o “clima” que esta cidadela inca absorve. No México, por exemplo, Monte Albán apresenta características muito semelhantes a Machu Picchu. Trata-se de uma cidadela, construída pelos zapotecas, em um platô, no alto de uma montanha, com ruínas muito bem conservadas. Você cruza pela cidadela e tem uma aula de história. Mas a memória que fica deste lugar é apenas visual. Trata-se de uma obra magnífica, mas destituída de emoção. Ou seja, os Incas assinaram com louvor uma das sete maravilhas do mundo moderno.. Se “místico” é aquilo que a inteligência humana tem dificuldade em explicar, então Machu Picchu é um lugar místico.. 






         

sábado, 15 de fevereiro de 2014

- VIAGEM



- UMA CRÔNICA SOBRE AS SETE MARAVILHAS DO MUNDO MODERNO
PARTE I - TAJ MAHAL


Muitas pessoas gostam de definir objetivos em suas vidas. Os estruturalistas chamariam isso de “metas”, enquanto os emergentes definiriam isso como “sonhos”. Pouco interessa se são sonhos ou metas. Se os radicais querem escalar o Himalaia, os mais sensíveis desejam escrever um livro. Os objetivos tem o mesmo significado. A idéia está em chegar lá... Pois em julho de 2007 acompanhei a eleição das novas “Sete Maravilhas do Mundo”, escolhidas em um concurso popular internacional promovido pela New Open World Foundation. Com mais de cem milhões de votos, enviados de todas as partes do mundo através da internet, foram escolhidos para este seleto grupo os seguintes monumentos: Coliseu (Itália), Taj Mahal (Índia), Cristo Redentor (Brasil), Chichén Itzá (México), Machu Picchu (Peru), Petra (Jordânia) e a Muralha da China. Lendo esta lista resolvi dar um objetivo às minhas viagens. Assim, juntando sonho e objetivo, resolvi que iria conhecer as Sete Maravilhas do Mundo Moderno. Este breve histórico é para poder informar que “CHEGUEI LÁ...”. Em janeiro de 2014 consegui fechar a lista e realizar meu sonho/objetivo. Isto me autoriza a escrever minhas impressões sobre estes lugares e talvez despertar um sonho em alguns, afinal viajar nunca é um ato neutro, ao contrário, é sempre uma experiência que nos modifica. Conferindo a lista percebemos que não há um critério comum de destaque presente em todas. Valores artísticos, históricos, naturais, arquitetônicos, religiosos se misturam e destacam cada uma de forma diferente. Assim, não existe a mais espetacular ou a menos importante. Todas se justificam nesta lista por algum critério. No critério artístico o grande destaque da lista, sem dúvida é o Taj Mahal, uma jóia da arte. E começo escrevendo exatamente sobre esta maravilha. O Taj Mahal, nome que significa a “Coroa de Mahal”, foi construído pelo imperador Shah Jahan em homenagem à sua terceira esposa, Mumtaz Mahal, que morreu quando do nascimento de seu décimo quarto filho. Durante vinte e dois anos, mais de 20 mil trabalhadores foram empregados na construção. Trata-se de uma obra impressionante pela riqueza dos desenhos de suas paredes, feitos com ametistas, safiras, jade, turquesa, lápis-lazuli incrustadas em pesados blocos de mármore branco. Quatro minaretes de 41 m de altura cercam o mausoléu que apresenta uma abóbada de 24 m de altura, decorada com fios de ouro. Uma lenda diz que para que os construtores não pudessem repetir a beleza e grandiosidade da obra, o Imperador mandou que suas mãos fossem cortadas e seus olhos cegados. O mais incrível, no entanto, é que não estamos diante de um monumento construído por motivação religiosa, política ou militar. O Taj Mahal é um monumento em homenagem ao amor e nele a paixão está presente em todos os detalhes. E esta paixão ainda teve um fim mais trágico, pois o imperador foi deposto por seu filho logo após a conclusão do mausoléu e passou mais 12 anos preso, até morrer, no Forte de Agra, no outro lado do rio Yamuna, numa sala de cuja janela podia avistar o túmulo construído para sua amada. Durante uma visita ao Forte de Agra é possível chegar a esta sala e ter a mesma visão de Shah Jahan. Não existe nada igual no mundo. Mesmo obras de fantástico valor artístico como a Catedral de São Pedro, em Roma, ou a Alhambra, em Granada, não conseguem transmitir a emoção deste lugar. Mas essa é apenas uma história. As outras seis ficam para os próximos capítulos....





sábado, 11 de janeiro de 2014

- VICISSITUDES PESSOAIS



- SOBRE MEMÓRIAS E O TEMPO DO INDIVÍDUO..





                             

Um estímulo interessante às nossas emoções ocorre quando nos deparamos com cenas que perturbam e despertam os nossos sentimentos privados, que estão escondidos no teatro da nossa memória e cujo “eu proprietário” guarda tão bem, que muitas vezes perde a chave da sua liberação. Nestes momentos, felizmente surgem objetos competentes que resgatam estas memórias emocionais, driblando o guardião do esquecimento. Fico contente quando isso ocorre pois se o horizonte do indivíduo é a morte, é pela memória das coisas que nos despertam a emoção que nos fazemos presentes. Não se trata de nostalgia ou vontade de voltar ao passado. Não interessa se são alterações hormonais ou ondas eletrofisiológicas, invisíveis e não mensuráveis, que causam isso. Vale porque é bom, porque me lembra que coisas especiais ocorreram e que eu tinha cometido a doidice de esquecê-las. Nós temos o tempo geográfico, o tempo social, mas existe também o tempo do individuo, que é cíclico, e composto de eventos que não deveriam ficar tão escondidos. Este discurso todo se deve a dois vídeos que coincidentemente recebi num curto intervalo de tempo e que me trouxeram de volta um ciclo muito bom da história do meu tempo. Vale registrar, pois o guardião da minha memória é tão idiota que pode cometer a negligência de colocá-los no esquecimento novamente.


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

- VIOLÊNCIA



- ALGO ESTÁ ERRADO...




A covardia coloca a questão: É seguro?
O comodismo coloca a questão: É popular?
A etiqueta coloca a questão: É elegante?
Mas a consciência coloca a questão: É correto?

E chega uma altura em que temos de tomar uma posição que não é segura, não e elegante, não é popular, mas temos de fazê-lo porque a nossa consciência nos diz que é essa a atitude correta.

Martin Luther King


Recentemente numa reunião daquelas de "alto escalão" fui questionado por uma manifestação minha sobre uma tomada de posição institucional. A dialética entre fazer o que é melhor para o interesse da instituição e fazer o que é certo está cada vez mais presente nas discussões de gerências. E me espanta o fato de que tanto no âmbito profissional quanto nas escolhas pessoais o "princípio do interesse" ganha espaço e justificativas. Me sinto cada vez mais um corpo estranho nestas reuniões pois ainda sou um defensor intransigente da conduta do "faça a coisa certa" .. Esta me parece uma conduta tão simples que fico constrangido em ter que a justificar perante pessoas que antes de mim deveriam apresentá-lá. Me sinto cada vez mais um corpo estranho quando me levanto com minha bandeja, na praça de alimentação do shopping, e vou colocá-lá no lixo. Esta me parece uma conduta tão simples que fico constrangido ao perceber que só eu estou fazendo isso. Um professor de ética me disse certa vez que "ética é aproximar aquilo que nós sabemos que devemos fazer daquilo que nós realmente fazemos". Se este conceito estiver correto acho que devemos começar a nos preocupar. Percebo uma certa banalização em não fazer o que é certo... e o que é pior, solidariedade parece estar se tornando virtude... 





terça-feira, 17 de setembro de 2013

- VICISSITUDES PESSOAIS




- TÁ COMPLICADO FALAR DE SEXO





Talvez não exista lugar mais gerador de conhecimentos ecléticos do que uma sala de cafezinho repleta de médicos, num intervalo de plantão. De “jornada nas estrelas” ao assassinato de Kennedy quase tudo é discutido com fervor partidário. E numa destas reuniões filosóficas, estabeleceu-se uma discussão sobre cenas famosas de sexo em filmes de cinema. Entre descrições detalhadas e sugestões telegráficas cada um dos presentes apresentava sua candidata, cuja indicação era acompanhada de aplausos, vaias e comentários depreciativos ou entusiasmados. O erotismo de Sharon Stone em Instinto Selvagem e a volúpia agressiva de Glenn Close em Atração Fatal disputavam os comentários mais criativos e divertidos até o instante em que apresentei minha preferência: a cena do filme “Encontro Marcado”, protagonizada por Brad Pitt, representando a morte. Após um silêncio constrangedor, percebi os dedos freneticamente em I-Phones, buscando a desconhecida cena. Confesso que fiquei desconcentrado com os comentários. Ninguém gostou, sendo criticado de forma divertida em relação às minhas preferências tanto sexual como cinematogáfica. Nem a pretensa “sensível” ala feminina manifestou apoio. Evidente que para os que gostam de gritos, gemidos e panelas caindo da mesa esta não é uma cena entusiasmante. Por outro lado ela retrata uma sensualidade criativa, desenvolvendo um erotismo delicado, singelo, que se desenrola de forma lenta, quase infantil. Não há gritos, roupas rasgadas ou gestos frenéticos. Os corpos nus pouco aparecem, cedendo seu lugar a uma expressiva troca de olhares, que constroem uma narrativa repleta de significado. Aliás, esta inversão de expectativa representa o grande risco desta cena. Ao contrário do que todos esperam, o Diretor desenvolve todo um rito sexual em que os personagens comunicam seu prazer através de expressões faciais, olhares e toques, fugindo de tudo que é comum neste tipo de cerimônia libidinosa. Realmente, parece mesmo que para ser popular é indispensável ser medíocre. Portanto, para aqueles que futuramente forem participar deste tipo de discussão fica a dica. Se você não quiser ser vitima de bullying sexual vote numa cena barulhenta e manifeste suas preferências por sexo selvagem e sem limites. Ou assuma sua escolha. No meu caso, gostei do resultado, afinal “existe uma certa glória em não ser compreendido”.. 






sábado, 20 de julho de 2013

- VICISSITUDES PESSOAIS



- PEDINDO DESCULPAS




Hoje, após 24 horas de plantão numa emergência em que havia 159 pacientes literalmente empilhados, num espaço projetado para atender 45, resolvi parar um pouco e pedir desculpas... primeiro aos pacientes que estavam lá sentados ou deitados, alguns há vários dias, esperando um leito, uma cirurgia... desculpe por não ter uma sala no bloco para operá-los, desculpa por não ter um leito para interná-los.. pelo menos se vocês conseguirem se recuperar terão bons estádios de futebol para visitarem..  desculpem-me os motoristas das dezenas de ambulâncias que vieram do interior do Estado e despejaram seus pacientes na nossa porta.. desculpe por faze-los esperar, mas em respeito aos colegas do interior, que encaminharam estes pacientes por total falta de condições de atendimento nas suas cidades de origem, eu preciso tratá-los adequadamente antes de libera-los para viagem de volta.. talvez colocando mais um médico nestas cidades as ambulâncias diminuam suas viagens.. desculpe a  todos por ter feito o vestibular mais concorrido, cursado a faculdade mais longa e mais difícil, ter feito uma residência durante três anos em que trabalhei mais de 18 horas por dia, TODOS os dias neste período.. talvez aumentando mais dois anos de faculdade a saúde do país venha a melhorar.. peço desculpas a todos que não sabem o que é ser médico, pois eu não consigo explicar algo tão grande e tão especial.. peço desculpas se eu não reajo diante do preconceito, da inveja e do casuísmo, mas estou muito ocupado fazendo o meu trabalho.. desculpe dilma, padilha, mercadante e todos os prefeitos safados que tentam salvar seus cargos políticos mentindo e enganando a população.. vocês vão passar.. e nós continuaremos.. e espero sinceramente que aqueles que forem substituí-los façam algo melhor.. ou pelo menos sejam mais honestos com a população.. até lá galera da medicina, não se assustem.. liga o som, aumenta o volume e vamos para linha de frente.. é lá que estão as pessoas que reconhecem o trabalho médico..    


segunda-feira, 20 de maio de 2013

- VICISSITUDES PESSOAIS



- VALORES UNIVERSAIS





Confesso que admiro muito a criatividade dos publicitários, principalmente quando eles conseguem carregar de emoção cenários que nos são conhecidos. Nesta campanha uma empresa de telefonia móvel inglesa conseguiu unir dois eventos que são absolutamente universais: a Trafalgar Square e os Beatles. A Trafalgar Square, em Londres, é um daqueles lugares que podemos dizer ser um dos "pontos de encontro dos povos". Neste local mágico, em frente a National Gallery, um dos mais belos museus do mundo, transitam pessoas de todas as nacionalidades, num ambiente absolutamente democrático, onde artistas, turistas, trabalhadores, adultos e crianças convivem em harmonia. Se você estiver em Londres e sem programa definido (o que é difícil), vá para esta praça e fique olhando o mundo passar na sua frente. Pois neste local foram reunidas mais de 13 mil pessoas, chamadas por uma simples mensagem em seu celular: "Esteja na Trafalgar Square tal dia, tal horário". E nada mais foi dito. E na hora marcada foram distribuídos dezenas de microfones, para que fosse feito um karaokê gigante, de surpresa, onde todos cantaram algo que é tão universal e inglês como a própria praça: a música Hey Jude, dos Beatles. Aliás, em termos de música, nada pode ser mais universal que os Beatles. É emocionante ver pessoas tão diferentes unidas num local mágico, cantando uma única música, numa confraternização que nos faz pensar como o mundo poderia ser um lugar muito melhor de se viver.. É impossível ver este vídeo e não sentir uma vontade de ter participado desta história, de ter estado lá naquele momento..   




quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

- VIAGEM



- UM RITUAL BIZARRO E DE MUITA FÉ - NEPAL





Viagens a países exóticos proporcionam sempre experiências também exóticas ou bizarras, mas que nos permitem entender a cultura e a história dos povos. Uma experiência que pode ser classificada como impressionante é a visita ao Templo Hindu de Pashupatinath, em Kathmandu, no Nepal. Este templo, um Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, permite uma visão privilegiada dos rituais de cremação, uma cerimônia muito importante dentro da religião hindu. De acordo com a tradição do hinduismo, no Nepal, o cadáver é levado em uma padiola improvisada, normalmente pelos familiares, enrolado em um pano branco ou alaranjado, enquanto estes recitam orações. Ao chegar ao local da cremação junto ao Rio Bagmati, um afluente sagrado do Rio Ganges, o corpo é mergulhado em suas águas, num ritual de purificação. Na seqüência é colocado sobre uma pilha de troncos de madeira, que estão em plataformas junto ao rio. A pira é acesa normalmente pelo filho mais velho, no caso dos homens, ou pelo filho mais novo, no caso de mulheres. O fogo queima durante aproximadamente três horas, supervisionado por um responsável pelas cremações, e acompanhado pelos familiares, normalmente homens. As mulheres só comparecem se não chorarem ou gritarem, pois isto não é considerado adequado para o momento. Neste período o filho mais velho tem seu cabelo raspado, num dos inúmeros rituais que acompanham esta cerimônia. Ao final, as cinzas, pertences e restos de madeira são jogados no rio e a plataforma é lavada, com água do próprio rio, normalmente pelos filhos. Este ritual é extremamente importante para os hindus. As cinzas jogadas nas águas do rio sagrado libertam a alma da matéria, permitindo que a fumaça que sobe, estabeleça uma comunicação com os Deuses. A cremação é o caminho para a libertação espiritual, liberando o homem do Samsara, um ciclo vicioso de milhares de renascimentos e reencarnações, e permitindo alcançar o Moksha, um estado de perfeição, uma analogia ao Nirvana. Para nós que não participamos dessa cultura, o ritual pode parecer algo entre o macabro e o bizarro. Mas diante dele é possível sentir o peso da religiosidade e a fé que reveste cada gesto desta diversidade. Você fica tempo observando o cenário e questionando a espiritualidade e o valor do corpo e da matéria. Pashupatinath corresponde, no Nepal, ao que ocorre em Varanasi, a cidade sagrada dos seguidores do hinduismo. Mas isso já é outra história... 






sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

- VIAGEM



-  VALORIZANDO MOMENTOS





Uma análise interessante quando se viaja com certa regularidade é comparar a perspectiva de interesses no planejamento da ida com a quantidade de lembranças da volta. Normalmente planejamos uma viagem baseado no que pretendemos ver e conhecer, incluindo paisagens, monumentos, museus. Mas quando retornamos, nossas melhores histórias não envolvem lugares.. Envolvem pessoas. Basta prestar atenção naquele papo de bar, junto com a família ou com a turma. Quando vamos contar algo interessante de uma viagem, normalmente o núcleo da narrativa está numa situação que envolve as pessoas do lugar visitado. Esta é uma dica para quando planejar uma viagem. Considere não apenas os lugares bonitos que irá conhecer, mas as características e a cultura do povo com quem irás conviver. Neste núcleo estarão nossas melhores histórias. Neste sentido, um dos lugares mais impressionantes que conheci foram os Templos da Civilização Kmer, no Camboja, incluindo o Templo de Angkor Vat. Estes monumentos religiosos impressionam pelo seu tamanho e estilo arquitetônico. Mesmo diante disso, sempre que me perguntam sobre o Camboja, a história que conto não envolve os templos, mas a figura isolada de uma velha senhora. Quando chegava ao Templo de Angkor Tom, após uma caminhada na floresta, percebi uma senhora idosa, sentada no chão, na entrada do templo, vendendo aquelas famosas “lembrançinhas made in China” que proliferam em todo lugar. Após uma hora de passeio, na saída, percebi que a senhora estava no mesmo lugar, na mesma posição e aparentemente com os mesmos objetos expostos, resultado de um programa de vendas não bem sucedido. Aproximei-me e percebi que ela vendia aquela inutilidade que são os ímãs de geladeira. Após uma certa dificuldade de comunicação, mesmo sem saber direito quanto iria pagar, peguei dois exemplares e dei-lhe uma nota de cinco dólares. Neste momento ela afastou uma espécie manto que a cobria e tentou pegar uma pequena bolsa para me dar o troco. Só então percebi que ela não tinha nem as mãos e nem os pés, que foram amputados. Descobri mais tarde que se tratava de uma das centenas de vítimas de minas terrestres que existem no Camboja, que literalmente tem seus membros explodidos, de forma cruel e aleatória. Isto ocorre principalmente com simples agricultores, quando estes estão trabalhando no campo. Voltando a cena, acho que fiquei alguns minutos olhando para ela, com os dois cotos de antebraço, segurando meu troco. E neste curto espaço de tempo pude perceber aquele rosto envelhecido, não só pelo tempo, mas também pela dor.. e sentir aquele olhar perdido que fulmina nosso coletivo de queixas simplórias e vaidades diárias inúteis. Não sei quanto dinheiro tinha na carteira. Certo que não era muito, mas rapidamente lhe dei todo o que tinha e peguei o saco de ímãs de geladeira. Conversando depois com o guia local, ele narrou que esta é a vida de muitos mutilados de minas. Sem previdência social ou ajuda governamental, a rotina da sobrevivência é passar o dia todo sentado, diante de um templo fantástico, vendendo quinquilharias chinesas para turistas desatentos. Incrível como a imagem daquela mulher está presente nas lembranças daquela viagem, e como ela participa de todas as conversas sobre o Camboja. Lembro que o templo Kmer era magnífico, mas lembro mais dos detalhes das mãos e pés ausentes do que da decoração de suas paredes. Ainda tenho vários ímãs de geladeira chinês, comprados no Camboja, que costumo presentear aos amigos, em situações especiais. Infelizmente os que ganham este presente não entendem o seu significado.. E a sua representação.. E isto também não é justo com aquela senhora.. Aliás, nada na vida parece ter sido justo com ela.. E como em quase todas as viagens, mais uma vez são as “pessoas” que dão significado aos lugares.



segunda-feira, 26 de novembro de 2012

- VICISSITUDES PESSOAIS



- UMA DICA GASTRONÔMICA




Certamente comer bem é uma das nossas experiências mais prazerosas. E quando podemos exercitá-la na sua plenitude, satisfazendo não só o sentido do paladar, ela se torna melhor ainda. E um lugar para se conviver bem com esta experiência é o restaurante Pasta Nostra, na cidade de São Francisco de Paula. É um restaurante simples, com uma decoração esquizofrênica e um atendimento lento e simpático. Como tudo em São Chico, "lento e simpático". Mas a comida é absurdamente saborosa. Pra não errar no pedido indico uma entrada com pasteizinhos de queijo, seguido de um fettuccine "à pasta nostra" e uma jarra de suco de uva. Este pedido satisfaz bem duas pessoas que não estejam famintas. Na finaleira indico pedir um café preparado pela própria dona do restaurante, que também é a responsável pelo cardápio, ajuda no atendimento e é super simpática. E se a casa estiver tranquila, vale pedir pro Filipe, garçon, gerente e pai novo, puxar um violão e tocar Zé Ramalho. O grui é mt bom.. .E para aqueles que estão acostumados a serem "escalpelados" com os preços de Gramado, não caiam da cadeira: a conta não passa de R$ 60,00... Preço justo e honesto.. Tem outros opções, mas a massa é o ponto alto da casa. Já comi muitos tipos e formas de massa, em vários lugares no mundo, mas nenhuma supera o ponto e o sabor desta casa.. Se você está buscando a "massa perfeita" não vá à Veneza.. Vá a São Chico. Vale a dica.. Não tem erro.. E pra completar o programa vale um passeio matinal no lago São Bernardo e um pós-almoço na Livraria Mirage.. São Chico sempre surpreende..



sábado, 15 de setembro de 2012

- VIAGEM



- UM CONTO CHINÊS





Shih Huang Ti é relacionado no livro de Michael Hart entre as 20 personalidades mais importantes da história. Considerado um guerreiro implacável, no ano de 221 a.C. ele derrotou todos os estados feudais e unificou a China, declarando-se o “primeiro imperador”. Instituiu inúmeras reformas radicais na forma de governar e iniciou a construção da “Grande Muralha”. Este personagem controverso tem associado a sua figura várias histórias bizarras relacionadas ao seu medo de morrer. Considerando que durante sua vida havia arregimentado centenas de inimigos em batalhas, o imperador era assombrado pela imagem do que estes inimigos poderiam fazer com ele após a sua morte, já que estes, segundo o seu pensamento, o estariam esperando no mundo celestial, para uma implacável vingança. Movido por este estado delirante determinou então ao seu primeiro (e mt importante) ministro Li Ssu que, após a sua morte, 8.000 dos seus melhores soldados fossem mortos para que pudessem acompanhá-lo e protegê-lo no mundo dos mortos. Para a felicidade de seus soldados, no entanto, Li Ssu convenceu o imperador que, em vez de matar parte de seu exército, fossem construídas estátuas reproduzindo estes guerreiros, e estas seriam colocadas em sua tumba, como forma de proteção contra os inimigos mortos. Esta sábia alternativa, não somente poupou a vida de mais de 8.000 homens, como propiciou a construção de uma das mais impressionantes obras de arte da história: os “Guerreiros de Terracota de Xian”. Descoberto de forma ocasional, em 1974, este conjunto de estátuas,  representando guerreiros, oficiais, cavalos, carruagens e armas espanta pela qualidade artística das obras e pela quantidade impressionante de figuras. Os guerreiros são em tamanho e estilo natural, variando em peso, indumentária e penteado, de acordo com a patente. Não existem duas estátuas iguais. Cada uma delas representa a figura de um soldado, que, como modelo, deve ter se sentido muito mais gratificado em ter sido representado em terracota do que compulsoriamente tendo de acompanhar seu imperador em uma jornada precoce pelo mundo dos mortos.


quinta-feira, 26 de abril de 2012

- VIOLÊNCIA



- A PIOR VIOLÊNCIA..




Uma das perguntas mais frequentes que se houve quando se é Perito Médico-Legista é sobre como nos sentimos, do ponto de vista emocional, durante o nosso trabalho e como isso afeta nossa vida pessoal. Objetivamente falando acho que o meu trabalho me fez ser uma pessoa "melhor", menos preocupada com as vaidades humanas e muito mais solidário com os verdadeiros sofrimentos pessoais. Aliás, uma das minhas muitas teses é que as pessoas deveriam passar pelo menos uma semana trabalhando no necrotério. Isto certamente as tornariam pessoas melhores. E para aqueles que imaginam ser o necrotério o lugar mais difícil de se trabalhar, a experiência mostra que isso não é verdade. O atendimento de crianças vítimas de violência física ou abuso sexual é sem dúvida a parte mais difícil do trabalho. Isto sim carrega uma carga de sofrimento e desesperança muito pesada e nos proporciona um sentimento de descrédito em relação ao futuro da nossa sociedade. A violência contra crianças e adolescentes constitui hoje a primeira causa de morte na faixa etária de 5 a 19 anos e a segunda causa de morte entre as crianças de 1 a 4 anos. Portanto este é um evento que não podemos abstrair e muito menos desacreditar na sua existência. Os riscos para sua ocorrência precisam ser detectados e adequadamente decodificados para que o indivíduo tome as decisões compatíveis com a situação e notifique sua existência. Não estamos autorizados a esperar pelo agressor. Não será ele a fonte da denúncia.




quinta-feira, 5 de abril de 2012

- VICISSITUDES PESSOAIS



- FILOSOFANDO






O Twitter, além de uma ferramenta interessante para acesso em tempo real a informações atualizadas, mostrou-se uma boa maneira de avaliar o que estava acontecendo conosco em um determinado ciclo da nossa história. As mensagens que postamos (tirando aquelas inutilidades absolutas que alguns insistem em escrever) permitem fazer diagnósticos interessantes sobre o nosso envolvimento pessoal, afetivo e social num intervalo de tempo. E possibilitam ainda acompanhar as transformações que estes envolvimentos apresentam, numa analise linear da nossa história. Os temas e os interesses vão mudando de forma sutil, mas consistente. É possível avaliar até a repercussão que as nossas postagens despertam entre os que nos acompanham. Para testar minha tese (sou um cara de teses) avaliei as minhas postagens pseudo-filosóficas amadoras que mais foram "retweetadas" .. interessante.. conferindo:

- Fazer uso de “desculpas” para não viver a intimidade é forte sinal de que a prazerosa e desafiadora arte da convivencia está naufragando.

- Nós somos como uma fotografia: reproduzimos o visível e tornamos visível o consciente de uma segunda realidade.. mas este nem todos enxergam.

- Quando quase todos os idiotas do mundo estão contra você é que eu entendo Baudelaire: "Existe uma certa glória em não ser compreendido".

- Algumas cadeiras na faculdade são experiências piores que ferias em Magistério, no inverno, com chuva.

- Claro que a chuva de hj perturbou a vida de mt gente.. só não esqueça que para cada um minuto de raiva perdemos 60 segundos de felicidade.

- Quer uma expressao que caracteriza férias perfeitas: "em que dia da semana estamos?"..

- Interessante como pessoas maduras tem "crises adolescentes" e não percebem.. realmente nós não somos bons juizes das nossas atitudes.

- Num dia quente como hj por alguns segundos fiquei com inveja da colega de saia e rasteirinha.. mas depois pensei na menstruação e resolvi aceitar minha gravata.


sábado, 31 de março de 2012

- VICISSITUDES PESSOAIS



- DICA DE LIVRO




Para o pessoal que deseja ser Delegado de Polícia esta é uma ferramenta de auxílio para os concursos.. E uma sorte especial para os meus ex-alunos que estão nesta..

domingo, 25 de março de 2012

- VIAGEM



- COMEÇANDO VIAGENS EXÓTICAS





Para os que pretendem iniciar viagens por lugares exóticos ou querem sair dos roteiros clássicos (Madri, Londres, Paris e Roma), sem assumir riscos desnecessários, uma sugestão interessante é visitar o Marrocos. Em uma visão pragmática este país atende alguns requisitos basilares para um turismo “no stress”: segurança, roteiros bem elaborados, bons hotéis, preços aceitáveis e clima favorável. Além de um mergulho na cultura islâmica, o Marrocos oferece opções fortes em turismo religioso, histórico, de “comprinhas” e gastronômico. No roteiro das “cidades imperiais” você transita por mesquitas, palácios e medinas, com uma variedade imensa de estímulos sensoriais. É um turbilhão de cores, cheiros e sabores. A mesquita de Hassan II em Casablanca, a medina de Fez e a praça Djeema el Fna em Marrakech são os pontos de destaque do circuito. Duas dicas: fique nos hotéis 4 estrelas, que são excelentes (a relação custo/benefício em relação aos de 3 estrelas vale o investimento) e deixe para fazer as “comprinhas” no suk (mercado tradicional) de Marrakesh, no final da viagem.






domingo, 18 de março de 2012

- VICISSITUDES PESSOAIS

O "PRINCIPIO DA INCERTEZA"





Esta foto foi feita durante uma visita a uma mesquita no interior da Turquia e retrata, de forma simbólica, o relacionamento afetivo de um casal de idosos. Enquanto buscava um melhor enquadramento, fiquei observando por algum tempo a forma carinhosa dos gestos e o cuidado de cada um para com as ações do parceiro. Estas relações afetivas duradouras sempre me despertam um questionamento: "o que deu errado nesta relacionamento para ele durar tanto tempo?". Pode parecer deprimente, mas tenho a impressão que relacionamentos duradouros tornaram-se, nos dias de hoje, uma anormalidade estatística. Werner Heisenberg, ganhador do Prêmio Nobel de Física em 1932 e um dos criadores da mecânica quântica, é autor do famoso “princípio da incerteza”.  O “princípio da incerteza” estabelece que, mesmo em condições ideais, o comportamento futuro de qualquer sistema não pode ser completamente previsível.  Se este princípio é considerado um dos mais profundos e de maior alcance em toda a ciência, sua aplicabilidade aos relacionamentos interpessoais considero como sendo bastante adequada.  Principalmente quando percebemos que o ponto inicial da maioria dos relacionamentos está muito centrado no núcleo do desejo. O relacionamento que decorre de um "desejo" é completamente imprevisível e tem grande chance de acabar com o advento da convivência e o decorrer do tempo. Afinal, a posse permite a descoberta dos defeitos e isso destrói o prazer. Os relacionamentos esgotam-se com a materialização dos defeitos e a consequente falta de condições de assumir um significado para eles. Esta falta de significados (ou conteúdo) cria um vazio que irá, inexoravelmente, ser preenchido por um outro objeto emocionalmente competente. E não há previsão de quando isso irá acontecer ou possibilidade de defesa para evitá-lo. Sinônimo de fracasso é a tentativa de racionalizar este emocional, que sempre precede o sentimento. Quando um novo objeto emocional ocupa seu espaço, mesmo que não se torne uma necessidade, estará gerando o desiquilíbrio no relacionamento e criando um campo propício para um potencial e devastador conflito. E uma vez estando o conflito instalado, resta agora a sua administração: negar, acomodar ou negociar. Qualquer das alternativas levará ao mesmo resultado, ou seja, a perempção do relacionamento.. simplesmente a sua morte. Tenho a convicção de que a manutenção dos significados é a esperança de sobrevivência de um relacionamento. E não existe significado sustentável se o núcleo da relação for o desejo e a busca do prazer. É o “princípio da incerteza” fazendo-se presente nas relações afetivas. Saber isso ajuda a melhorar os relacionamentos?? Acho que não. Mas ajuda a explicar, por exemplo, como a acomodação ajuda a manter os relacionamentos, já que a tentativa de um novo traz sempre consigo uma nova incerteza, com todos as suas potenciais frustrações. Como todo princípio universal não existe forma de evitá-lo. Resta conviver com ele e torcer pelo resultado. E o casal da foto parece ter encontrado o melhor resultado.   


quinta-feira, 8 de março de 2012

- VICISSITUDES PESSOAIS



ESTIMULANDO PERCEPÇÕES



                                                     templo de Tah Prohm - Camboja


No meu tempo livre, gosto de analisar fotografias, buscando identificar novas percepções e construir pensamentos abstratos em cima de imagens, cujos significados podem nos permitir descobrir novas chaves para outras representações.  Para registrar este ensaio editei, no facebook, um álbum – “Para pensar...” – em que publico algumas fotografias tiradas em diferentes ambientes. Estas fotos buscam estimular formas de interpretação que vão além daquilo que está sendo retratado. O objetivo é conduzir o expectador, diante da foto, a construir uma narrativa de significados sobre o que aquela imagem poderia representar. Claro que esta construção originalmente foi feita pelo imaginário do autor, mas é permitido também que cada um construa o seu processo interpretativo, dentro da sua visão subjetiva do modelo retratado. Um exemplo é a foto “Raízes”, que retrata a retomada de um espaço pela natureza, em uma construção, um Templo Khmer, construído e abandonado pelo homem no século XIV. No meu imaginário a foto representa uma metáfora sobre o difícil equilíbrio nas relações, considerando os conceitos de dominação e respeito pelos limites. Em Tah Prohn  a natureza retomou seu espaço e invadiu as construções do templo, de onde fora expulsa pelo homem. Mas estranhamente o crescimento das árvores e suas raízes respeitou as construções e passou a envolve-las, cobri-las, sem no entanto destruí-las, como seria de se esperar.  Mesmo na sua “vingança” pelo resgate do que lhe foi subtraído, a natureza conseguiu criar uma forma de equilíbrio em que a “posse” não foi obtida à custa da “destruição”. Outro ponto interessante nesta narrativa é que a “redescoberta” desse templo, no século XX, determinou um processo de restauração das suas ruinas. Mas neste processo de restauração o homem optou por preservar a natureza, mantendo as arvores e as raízes nos sítios que elas haviam ocupado dentro do espaço do templo. Temos aqui simbolicamente um exemplo de equilíbrio entre dois agentes hegemônicos, em que, ao invés de um dominar ou destruir o outro, cria-se um ambiente de compartilhamento de espaço e respeito de limites. Aquela porta escura da foto nos estimula a por ela entrar e pensar se é possível praticar este modelo em outras áreas, inclusive nas relações interpessoais. Todos sabemos que é muito difícil a convivência, a divisão de espaços, o respeito aos limites do outro, o exercício de poder sem que um agente tente dominar o outro ou destruir a sua individualidade. Mas isso é possível. Tah Prohn nos mostra isso. E a foto, espero, o leve a também pensar sobre isso.
Abaixo mais duas imagens desta impressionante convivência.








quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

- VIAGEM

 POR QUE FOTOGRAFAR VIAGENS?



Hoje me perguntaram por que eu fico postando fotos de viagens no facebook ao que respondi que na realidade não coloco "fotos" em rede social. Se fosse esta a intenção faria um álbum de viagens (que normalmente são mt chatos de se ver). O problema é explicar algo quando percebemos que a critica encoberta não busca qualquer contribuição. Mas isto estimula pelo menos um comentário coletivo para os que gostam de "curtir" fotografias. As minhas fotos na realidade são uma narrativa pessoal de um pequeno tempo, que de alguma forma trouxe consigo um momento emocionalmente importante. Não são fotos de viagens. São muito mais do que elas mostram e talvez por isso só tenham significado pra mim..  ou para quem busca estes momentos.. A foto acima retrata uma casa na pequena cidade de Hoi An, no interior do Vietnam. É uma lojinha, na realidade, que vende lanternas coloridas, feitas manualmente pelos habitantes locais. A composição visual é mt bonita, mas se fosse somente isto essa foto não estaria aqui. Ficaria como outras centenas arquivada na memória de um computador, ao qual somente eu tenho acesso (mt deprimente isso). Mas qual o detalhe da foto então que a torna tão particular? ... observando... as "pernas". Na beira da porta tem um par de pernas, que pertencem a menina que faz as lanternas. Não se preocupe se você não percebeu. Isso só faz sentido pra mim. Naquele momento eu estava decidido a comprar uma lanterna e fiquei encantado pelas cores, pelo clima do lugar, pela chuva que estava caindo e pela afetividade da menina que estava fazendo e me vendendo a lanterna. No seu visual simples e descuidado ela era mt bonita. E como nunca largo a máquina fotográfica decidi fazer uma foto da cena. Pedi para ela ficar ao lado das lanternas mas percebi que havia um problema pra realizar esta foto, que ia além da nossa dificuldade de comunicação num inglês "the book is on the table". Após um certo impasse de enquadramento ela falou, numa humildade cativante, que não gostariam de aparecer na foto pois se achava "muito feia"... Muito feia.... Bom, depois dessa frase posso garantir que os próximos dez minutos foram uma tentativa frustrante de tentar dizer em português/inlgês/vietnamita que ela era a pessoa mais parecida com a Gisele Bundchen que eu já havia visto. Acho que não funcionou tão bem quanto eu gostaria mas o sorriso na despedida me pareceu de uma pessoa mais feliz. E o que ficou disto tudo? Uma lanterna vermelha pendurada na minha sacada, uma foto no facebook e um momento daqueles que eu quero ficar lembrando. Portanto, fotografar é isso.. tornar um instante, uma história. Ás vezes não se consegue enxergar o que não pode ser visto. Mas fotografia pode ser mt mais do que aquilo que estamos vendo. É como uma obras de arte pós-moderna. Se você não entendeu, não critique. Aliás, como disse Abraham Lincoln: "Só tem o direito de criticar aquele que pretende ajudar." 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

- VICISSITUDES PESSOAIS



POR QUE CONSTRUIR UM “TOP TEN” - MELHORES MOMENTOS






Num destes “papos de bar” falando de coisas inesquecíveis que fazemos na vida fui desafiado a listar dez coisas que fizeram diferença e marcaram as minhas lembranças. Depois de algumas mudanças e atualizações, além de algumas sugestões pouco convencionais a lista ficou pronta. Não pensei em publicá-la pois poderia parecer “exibicionismo” mostrar este tipo de tema. Mas depois de um tempo a ideia original foi mudando. Trocamos a expressão "mostrar o que eu fiz" pela frase "registrar o que fizemos de importante com o nosso tempo". Assim, eu e qualquer pessoa podemos criar um referencial para, de alguma forma, avaliar o que fazemos com aquilo que de mais importante temos: o tempo. Quando me perguntam qual a coisa mais importante que possuo respondo de forma muito categórica que é o “tempo”. O tempo é uma invenção do homem para justificar a senilidade e a demência progressiva que irá inexoravelmente nos atingir. Ele representa uma “moeda no cartão de crédito” que nós gastamos diariamente, sem saber qual o saldo restante ou o prazo de validade. Gastando ou não este saldo, o prazo irá expirar, sem que eu saiba quando isso vai ocorrer. Então o que nos resta é usar bem esta "moeda". E para avaliar isso criei esta figura de controle que chamei “top ten – melhores momentos”. É simples. Vamos tentar relacionar dez coisas que você tenha feito e que realmente foram absurdamente legais. Se eu não consigo lembrar de pelo menos dez momentos diferenciados, talvez eu não esteja usando bem o saldo do meu “cartão de crédito”. Se eu consigo lembrar de dez ou mais momentos inesquecíveis é provável, por este critério, que eu o esteja usando bem. E se eu tenho estes dez momentos, nada impede que eu tente modificá-los, buscando substituir alguns por outros melhores. A ideia é simples, e nada tem de exibicionista. Eu posso ter momentos bons em casa, viajando, com alguém ou simplesmente apreciando algo que me dá prazer. O importante é TER estes momentos, poder visualizar a sua lembrança e tentar criar novos. Aliás isto é o que estou fazendo agora. Mudando a minha lista. E confesso que esta sensação é muito boa. Lembrei de algo que havia feito e que absurdamente não coloquei na primeira lista. E consegui acrescentar um momento novo, desbancando um que perdeu espaço, mas não importância. Apenas foi substituído por outro melhor. Interessante como as nossas lembranças são estimuladas quando as visualizamos num suporte material. Conseguimos buscar detalhes, fazer correlações, lembrar pessoas. Enfim o objetivo do experimento é esse, reforçar boas lembranças e buscar atualizá-las. Vale como sugestão.




Dez momentos que fizeram a vida valer a pena..  Versão 3

1. Passear de balão na Capadócia - Turquia;
2. Escalar o Waina Picchu - Peru;
3. Ver o Internacional ser Campeão da Libertadores no Beira-Rio - Porto Alegre;
4. Atravessar o desfiladeiro que leva à Petra, a cidade perdida dos Nabateus - Jordânia;
5. Ver o pôr-do-sol em Hanga Roa - Ilha da Páscoa;
6. Fazer um safari de Jeep na Ilha de Gozo – Malta;
7. Curtir um final de tarde em Tatooine, a terra de Luck Skywalker – Tunísia;
8. Passear de barco pela Baia de Ha Long - Vietnam;
9. Entrar na grande pirâmide de Quéops – Egito;
10. Andar de barco inflável nas Cataratas do Iguaçu - Foz do Iguaçu.




domingo, 4 de dezembro de 2011

- VICISSITUDES PESSOAIS



- Algumas mensagens dispensam uma linguagem descritiva.. Elas funcionam como um objeto emocionalmente competente: refletem, transmitem, traduzem emoções.. não há como passar por elas sem sentir uma alteração corporal, hormonal ou bioquímica.. e o interessante é que elas se caracterizam pela simplicidade.. deixar de reconhecê-las é privar-nos de aproveitar momentos de prazer.. e perder tempo é um castigo insuportável. Citando Darwin, "O homem que tem coragem de desperdiçar uma hora do seu tempo não descobriu o valor da vida".. Portanto vamos fazer por merecer o tempo que nos foi dado..